Por Ney Daniel — Corretor de Imóveis, Avaliador Imobiliário e Perito Judicial Imobiliário
O mercado imobiliário brasileiro entra em uma nova etapa de expectativas com a confirmação de um novo mandato presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, a partir de janeiro de 2027. Para investidores, compradores, proprietários e profissionais do setor, o momento exige atenção às políticas habitacionais, às condições de financiamento, ao comportamento dos preços e às oportunidades que podem surgir em diferentes regiões do país.
As perspectivas para o setor não dependem exclusivamente das decisões do governo federal. A taxa de juros, a disponibilidade de crédito, o custo da construção, a renda das famílias, a segurança jurídica e o desenvolvimento econômico regional também influenciam diretamente a valorização e a rentabilidade dos imóveis.
Uma análise publicada pelo portal Portas, em 26 de outubro de 2026, destaca propostas relacionadas à ampliação do Minha Casa, Minha Vida, à utilização de imóveis públicos, à regularização fundiária e à urbanização de comunidades. A execução dessas medidas, entretanto, dependerá de recursos orçamentários, regulamentação e negociações políticas.
Fonte: Portas — Novo mandato de Lula: propostas e desafios no mercado imobiliário.
A política habitacional permanece entre os fatores relevantes para o mercado imobiliário brasileiro. A continuidade e a possível ampliação do Minha Casa, Minha Vida podem estimular a procura por imóveis residenciais, a construção de novas unidades e a movimentação de terrenos com potencial para empreendimentos habitacionais.
Em abril de 2026, o governo federal anunciou medidas para ampliar os recursos destinados à habitação e elevou a meta de contratação do programa para três milhões de unidades até o fim daquele ano. O resultado efetivo das contratações e a continuidade das políticas deverão ser acompanhados por meio dos dados oficiais.
Fonte: Agência Gov — Ampliação dos investimentos no Minha Casa, Minha Vida.
Para o investidor, esse segmento pode oferecer oportunidades em terrenos, imóveis novos, unidades para locação e empreendimentos voltados à demanda habitacional local. Entretanto, cada projeto exige análise de viabilidade, enquadramento urbanístico, custo de construção, perfil do público comprador e condições de financiamento.
Não basta identificar uma região com déficit habitacional: é necessário verificar se existe demanda com capacidade de pagamento e se o empreendimento pode ser executado de forma econômica e juridicamente regular.
O custo do financiamento está entre os principais elementos que influenciam o mercado imobiliário. Juros elevados podem reduzir a capacidade de compra das famílias, dificultar a aprovação de crédito e aumentar o custo de oportunidade de quem investe com capital próprio.
Por outro lado, uma eventual melhora das condições financeiras pode ampliar o acesso ao crédito, estimular negociações e favorecer a comercialização de imóveis.
Segundo dados divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), as vendas de imóveis residenciais novos cresceram 5,4% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. O resultado demonstra que o mercado apresentou atividade mesmo diante das restrições de crédito.
Fonte: CBIC — Vendas de imóveis avançam 5,4% no primeiro semestre de 2026.
Para tomar decisões de investimento, é recomendável acompanhar a taxa Selic, a inflação, as condições de financiamento habitacional e as mudanças nas regras do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).
O Banco Central do Brasil disponibiliza séries e informações sobre operações de crédito imobiliário, recursos utilizados no financiamento e características dos imóveis financiados. Esses dados ajudam a compreender a evolução do mercado e comparar períodos.
Fonte: Banco Central — Informações do Mercado Imobiliário.
A regularização fundiária urbana, conhecida como REURB, também merece atenção de investidores e proprietários. Em áreas que atendam aos requisitos legais, o procedimento pode contribuir para a organização territorial, a titulação dos ocupantes e a integração de núcleos urbanos informais à cidade formal.
A Lei Federal nº 13.465/2017 e o Decreto Federal nº 9.310/2018 estabelecem referências importantes para os procedimentos de regularização fundiária urbana.
Do ponto de vista imobiliário, a situação documental de um imóvel pode influenciar sua comercialização, a possibilidade de financiamento, a transferência de direitos e a avaliação de riscos de uma aquisição.
Isso não significa, porém, que todo imóvel irregular será regularizado ou que a REURB garantirá automaticamente valorização. Cada situação depende da análise jurídica, urbanística, ambiental e registral, além dos requisitos aplicáveis e das decisões dos órgãos competentes.
Para investidores, proprietários e empreendedores, a diligência documental antes da aquisição é uma etapa fundamental para evitar custos imprevistos e avaliar a viabilidade de cada negócio.
O Brasil também merece atenção no cenário internacional de investimentos. O tamanho de seu mercado consumidor, a diversidade econômica regional e as necessidades de infraestrutura e habitação podem criar oportunidades em diferentes segmentos imobiliários.
De acordo com a publicação World Investment Report 2026, da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), os fluxos globais de investimento estrangeiro direto cresceram 6% em 2025, chegando a US$ 1,6 trilhão. Na América Latina e no Caribe, o volume de investimento estrangeiro direto aumentou 14%, para US$ 188 bilhões, com importante contribuição brasileira.
É importante observar que esses números abrangem investimentos estrangeiros diretos em diferentes setores da economia e não representam exclusivamente compras de imóveis por estrangeiros.
Fontes:
UNCTAD — World Investment Report 2026.
UNCTAD — Investimento estrangeiro na América Latina e no Caribe.
Para o mercado imobiliário brasileiro, a análise internacional pode ajudar a identificar tendências econômicas, fluxos de capital e regiões com potencial de desenvolvimento. Ainda assim, a decisão de comprar um imóvel deve considerar fatores locais, como liquidez, preço por metro quadrado, demanda por locação, custos de manutenção, tributação e risco cambial.
Em vez de apostar apenas em previsões políticas, o investidor deve observar as características concretas de cada mercado.
Imóveis residenciais para locação: podem ser considerados em cidades com demanda consistente de moradia, oferta de empregos, universidades, serviços e infraestrutura. A rentabilidade deve ser calculada com base no aluguel efetivamente esperado, descontando vacância, manutenção, impostos, administração e demais despesas.
Terrenos e áreas para desenvolvimento: podem despertar interesse em regiões com expansão urbana e infraestrutura planejada. Antes da aquisição, é indispensável verificar zoneamento, parâmetros construtivos, acesso viário, restrições ambientais e viabilidade de implantação.
Imóveis comerciais: podem oferecer oportunidades em áreas com atividade empresarial, circulação de pessoas e demanda por serviços. É necessário avaliar a vacância, a qualidade dos contratos de locação e a capacidade de pagamento dos ocupantes.
Imóveis com necessidade de regularização: podem exigir uma análise técnica e jurídica mais aprofundada. O preço de aquisição deve refletir os riscos, os prazos, os custos e a incerteza sobre a possibilidade de regularização.
Mercados regionais em crescimento: cidades com novos investimentos produtivos, melhorias de infraestrutura e geração de empregos podem apresentar oportunidades. Contudo, crescimento econômico não significa valorização automática de todos os imóveis de uma região.
Em todos os casos, uma avaliação imobiliária fundamentada e uma análise documental prévia ajudam a estabelecer parâmetros mais consistentes para a tomada de decisão.
Curitiba e sua Região Metropolitana devem ser analisadas a partir de fatores como infraestrutura, mobilidade, oferta de empregos, expansão urbana, disponibilidade de serviços e demanda habitacional.
A mesma lógica vale para outros mercados brasileiros: cada cidade possui dinâmica própria de preços, liquidez, oferta e procura. Uma oportunidade interessante em determinada região pode não apresentar a mesma rentabilidade em outra.
Para quem pretende investir em mais de uma localidade, a comparação deve considerar o valor de aquisição, o potencial de renda, a liquidez, a situação jurídica e os custos operacionais. Também é importante diferenciar valorização estimada de retorno efetivamente realizado.
O investidor deve evitar decisões baseadas exclusivamente em anúncios de valorização, promessas de rentabilidade ou expectativas relacionadas ao cenário político.
Uma decisão imobiliária mais segura começa com informações verificáveis. Além de acompanhar notícias do setor, o investidor pode consultar as seguintes fontes:
Banco Central do Brasil: dados sobre crédito imobiliário, juros e indicadores financeiros — bcb.gov.br.
IBGE: informações demográficas, econômicas e territoriais que ajudam a avaliar o perfil de uma região — ibge.gov.br.
CBIC: indicadores de lançamentos, vendas, oferta e financiamento de imóveis residenciais — cbic.org.br.
FGV IBRE: indicadores econômicos, inflação e custos relacionados à construção civil — portal.fgv.br/ibre.
IPEA: estudos sobre economia, desenvolvimento urbano e políticas públicas — ipea.gov.br.
UNCTAD: relatórios sobre investimento estrangeiro e tendências internacionais — unctad.org.
OCDE: análises econômicas e perspectivas de crescimento do Brasil e de outros países — oecd.org.
Banco Mundial: indicadores econômicos, riscos macroeconômicos e perspectivas de desenvolvimento — worldbank.org.
Essas fontes permitem acompanhar o ambiente econômico, mas não substituem a pesquisa específica sobre o imóvel. Para uma aquisição, também devem ser examinados a matrícula atualizada, os registros e as certidões pertinentes, a legislação urbanística local e os custos tributários aplicáveis.
Investidores estrangeiros devem buscar orientação especializada sobre regras de aquisição por não residentes, tributação, remessas internacionais, câmbio e eventuais restrições relacionadas à localização ou à natureza do imóvel.
O cenário para 2027 deverá ser acompanhado a partir de indicadores concretos, e não apenas de expectativas políticas. Entre os principais pontos estão:
A evolução dos juros e das condições de financiamento imobiliário.
A continuidade e a execução dos programas habitacionais.
O comportamento dos preços de venda e dos aluguéis.
Os custos de construção, manutenção e regularização.
A infraestrutura e as perspectivas econômicas da região escolhida.
A liquidez do imóvel e o perfil dos potenciais compradores ou locatários.
A segurança jurídica, a situação registral e as restrições urbanísticas e ambientais.
A estratégia mais adequada depende do objetivo do investidor. Quem procura renda com locação deve priorizar a demanda efetiva e o retorno líquido. Quem pretende revender precisa avaliar liquidez, preço de entrada e custos de saída. Já quem busca desenvolver um empreendimento deve realizar estudos de viabilidade técnica, urbanística, jurídica e financeira antes de comprometer capital.
O mercado imobiliário brasileiro reúne oportunidades, mas também exige planejamento e avaliação criteriosa. A continuidade das políticas habitacionais, as condições de crédito e a evolução da economia poderão influenciar os resultados do setor em 2027, sem determinar, isoladamente, o desempenho de cada imóvel.
Para investidores brasileiros e estrangeiros, a melhor estratégia é combinar pesquisa de mercado, análise documental, avaliação imobiliária e planejamento financeiro. Mais do que acompanhar previsões, é essencial compreender o imóvel, sua localização, sua situação jurídica e sua capacidade real de gerar renda ou preservar valor.
A Vivanterre Imóveis acompanha o mercado imobiliário e oferece assessoria em compra, venda, locação, administração e avaliação de imóveis, além de orientação imobiliária e documental conforme as características de cada caso.
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Artigo elaborado por Ney Daniel, corretor de imóveis, avaliador imobiliário e perito judicial imobiliário. Conteúdo informativo, baseado nas fontes indicadas, sem garantia de valorização, rentabilidade ou resultado de investimento. Dados, regras e condições de mercado devem ser confirmados antes de cada decisão.
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